quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Surrealidade básica

SEXTA-FEIRA:

Acordei cedo e fui fazer a minha caminhada. Tantos pensamentos na cabeça e poucas ações efetivas a serem tomadas, me deixaram desanimada. Acabei um projeto e estou na entre safra do meu trabalho, poderia ir atrás de um novo job, mas não me se sentia motivada a isso, meu bolso agradeceria a iniciativa, mas minha mente estava exausta.
Quantas perdas observei durante esse ano. Quantos planos que não sairam do papel, e os mais importantes que não deram em nada.
Resolvi abafar o diálogo insano que minha mente insistia em gritar, coloquei meus fones e a musica logo tomou conta dos meus passos.

A tarde resolvi ir numa sex shop. A lembrança do primeiro encontro as escuras ainda estava vivida, e o sonho de ontem ainda me deixava em chamas. Precisava me resolver sozinha, autonomia total !

Escolhi uma no centro da cidade com vários andares e fiquei circulando por lá, não sabia ainda o que queria, mas sabia que meus olhos econtrariam. Sem pressa, passeei pelos corredores, olhei prateleiras, manuseei alguns consolos, mas um brinquedinho me chamou a atenção na prateleira mais alta, até para mim que era uma mulher alta.
Foi quando eu senti um calor nas minhas costas, sem coragem de olhar, tentei alcançar o brinquedo. O calor se aproximou mais de mim, junto veio o perfume, o calor perfumado me perguntou:
- Quer ajuda ?
Ainda sem me virar, só curtindo aquela sensação boa, disse que sim, que queria o brinquedo da última prateleira e não alcançava.
O calor perfumado chegou ainda mais perto, até que ele se tornou corpo, e seu corpo contra o meu corpo. Um arrepio percorre minha coluna. Ele se estica até alcançar o brinquedo, vejo um braço negro e forte, sem ornamento nenhum, só um braço forte, que pega o objeto e em vez de me entregar o coloca as suas costas, como que brincando de "escolha a mão".
Só então me virei. Ele tinha mais de 1m85, era negro, coroa, muito cheiroso e com um sorriso de dentes pequenos. Ele dá um passo em minha direção e eu recuo um passo, encosto na prateleira, ele apoia as maõs na prateleira e vejo que estou sem saída. 
- Por favor o brinquedo?
- Calma menina ....
Começo a rir da situação, eu menina? Ele não era muito mais velho que eu.
- Tá, qual é tio? entro na brincadeira e ambos rimos, o que o desconcerta um pouco, mas só um pouquinho.
- Prazer, me chamo Antonio.
- Prazer, Justine.
- O que você quer com esse brinquedinho?
- Gozar? Me excitar?
- E precisa disso?
Caio numa gargalhada e repondo:
- Pior que sim. 
Lembrando da noite fatídica e no sonho que me deixou mais excitada ainda.
- Eu acho que não. Posso te fazer gozar mais gostoso que esse brinquedo.
- Hmmmmmmm, sei
- Aqui está meu cartão, use-o e abuse - de mim!
Pego o cartão, acreditando ser mais um que fala mais que faz.
Quando sou surpreendida com uma mão no meu queixo e o peso de um corpo que me prensa contra as prateleiras. O beijo que se seguiu foi estonteante. Há quanto tempo não beijava, pensei que nem sabia mais beijar. Foi um beijo quente, sem urgência, mas com um tesão elétrico. Quando terminou minhas pernas bambearam por um instante.
Ainda com a mão sob meu queixo, ergue meu rosto e diz.
- Espero tua ligação, Justine.
Vira as costas e vai embora sem nem olhar para trás. E eu boba e trêmula a vigiar sua saída.
Fui embora da loja de mãos vazias e o corpo pegando fogo!




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