A noite anterior era um grande nebulosa, onde aos poucos as lembranças começaram a tomar forma, a visita de Valentina e seu namorado, a tristeza imensa que senti quando me vi sozinha no apartamento. Fumei um baseado para relaxar, mais uma boleta pra garantir o sono, associado ao álcool foi um poderoso coquetel "foda-se o mundo", muito bem vindo... ô se foi.
Aos poucos percebo que não estou em meu quarto, aquelas paredes brancas, aquele cheiro característico não eram seus incensos. Hospital, estava em um hospital ...
- Como vim parar aqui meu Deus?
Nada mais fazia sentido, um hiato de tempo se instalara em minha mente, que por mais que eu quisesse montar uma ponte, não chegava a lugar nenhum.
Uma enfermeira entra no quarto, seu sorriso cansado me dizia que ela também não tivera um bom dia.
- Que faço aqui? Como vim parar aqui?
- Sua amiga lhe trouxe, a achou desmaiada em casa e pediu ajuda.
- Desmaiada?
- Sim, pelo jeito a senhora abusou um pouco da sorte na noite passada. Fizemos uma lavagem estomacal, vai sentir algum queimor hoje ainda, mas depois passa. Vou chamar o médico que vai lhe acompanhar no tratamento. Precisa de algo ? Perguntou enquanto media minha pressão.
- Água, por favor. Respondi cada vez mais zonza. Não me lembrava de nada , nem de dor nem de amor. For Got save ! Esbravejei !
Em pouco mais de meia depois entra o médico, sua juventude e displiscência em se vestir já me causa entranheza. Mas a zonzeira na minha cabeça não deixa analisar nada além disso.
- Olá Mocinha, sente-se bem? perguntou o jovem médico.
- Não, respondo eu.
- O que sente? Sentando-se na cadeira ao lado da cama.
- To zonza, com azia e muito confusa. Não sei como vim parar aqui, quem me trouxe, porque trouxe...
- Sua amiga a encontrou desmaiada em sua cama, informou uma garrafa de Wodka vazia e uma cartela de comprimidos para dormir, , também vazia, ao lado.
- E? indaguei.
- Você deu entrada como suicida.
- Suicida? Tomei 1 comprimido, ok, abusei da Wodka, e fumei um baseado, somente isso.
- Isso não se faz mocinha, mas deixe eu me apresentar. Sou Danilo, psicólogo desta unidade. E gostaria de ter alguns encontros pra conversarmos.
- Ãhmmmm ? tá de brincadeira não?
- Não, infelizmente, mas essa é uma decisão que só você pode tomar.
- Vou assinar sua alta, e aqui está meu telefone, disse ele lhe entregando um cartão.
Peguei a contragosto, e quando eu me forçava a sair da cama, ele sugeriu.
- Enquanto não decide, a Mocinha poderia começar a escrever, já escreveu algum diário de pensamentos? Extrair dessa mente atrmentada pensamentos obssessivos, compulsivos. O que você acha?
Cansada e mais zonza ainda, meu estomago ronca forte e caio na risada, Dr. Danilo me acompanha na graça e nesse momento eu afirmei que ia pensar sobre essa possibilidade.
São 17h de uma tarde azul e quente de uma segunda feira nebulosa!
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