quinta-feira, 28 de novembro de 2013

No princípio era névoa

Acordei assustada e zonza, já era dia e nem me lembrava de ter dormido.

A noite anterior era um grande nebulosa, onde aos poucos as lembranças começaram a tomar forma, a visita de Valentina e seu namorado, a tristeza imensa que senti quando me vi sozinha no apartamento. Fumei um baseado para relaxar, mais uma boleta pra garantir o sono, associado ao álcool foi um poderoso coquetel "foda-se o mundo", muito bem vindo... ô se foi.

Aos poucos percebo que não estou em meu quarto, aquelas paredes brancas, aquele cheiro característico não eram seus incensos. Hospital, estava em um hospital ...

- Como vim parar aqui meu Deus?

Nada mais fazia sentido, um hiato de tempo se instalara em minha mente, que por mais que eu quisesse montar uma ponte, não chegava a lugar nenhum.

Uma enfermeira entra no quarto, seu sorriso cansado me dizia que ela também não tivera um bom dia.

- Que faço aqui? Como vim parar aqui?

- Sua amiga lhe trouxe, a achou desmaiada em casa e pediu ajuda.

- Desmaiada?

- Sim, pelo jeito a senhora abusou um pouco da sorte na noite passada. Fizemos uma lavagem estomacal, vai sentir algum queimor hoje ainda, mas depois passa. Vou chamar o médico que vai lhe acompanhar no tratamento. Precisa de algo ? Perguntou enquanto media minha pressão.

- Água, por favor. Respondi cada vez mais zonza. Não me lembrava de nada , nem de dor nem de amor. For Got save ! Esbravejei !

Em pouco mais de meia depois entra o médico, sua juventude e displiscência em se vestir já me causa entranheza. Mas a zonzeira na minha cabeça não deixa analisar nada além disso.

- Olá Mocinha, sente-se bem? perguntou o jovem médico.

- Não, respondo eu.

- O que sente? Sentando-se na cadeira ao lado da cama.

- To zonza, com azia e muito confusa. Não sei como vim parar aqui, quem me trouxe, porque trouxe...

- Sua amiga a encontrou desmaiada em sua cama, informou uma garrafa de Wodka vazia e uma cartela de comprimidos para dormir, , também vazia, ao lado.

- E? indaguei.

- Você deu entrada como suicida.

- Suicida? Tomei 1 comprimido, ok, abusei da Wodka, e fumei um baseado, somente isso.

- Isso não se faz mocinha, mas deixe eu me apresentar. Sou Danilo, psicólogo desta unidade. E gostaria de ter alguns encontros pra conversarmos.

- Ãhmmmm ? tá de brincadeira não?

- Não, infelizmente, mas essa é uma decisão que só você pode tomar.

- Vou assinar sua alta, e aqui está meu telefone, disse ele lhe entregando um cartão.

Peguei a contragosto, e quando eu me forçava a sair da cama, ele sugeriu.

- Enquanto não decide, a Mocinha poderia começar a escrever, já escreveu algum diário de pensamentos? Extrair dessa mente atrmentada pensamentos obssessivos, compulsivos. O que você acha?

Cansada e mais zonza ainda, meu estomago ronca forte e caio na risada, Dr. Danilo me acompanha na graça e nesse momento eu afirmei que ia pensar sobre essa possibilidade.


São 17h de uma tarde azul e quente de uma segunda feira nebulosa!

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